Coisa que se faz por teima, não por convicção,
é amar quem não se pode amar, por vão brinquedo.
Correr atrás de boi bravo, faiscando o lajedo,
quem nunca vestiu perneira, chapéu e gibão.
O que se faz tirando lasca do rochedo,
o cavalo selado resvalando o chão,
o guarda-peito protegendo o coração,
é o sonho de viver, mesmo morrendo cedo.
Pois eu me vi perdido no mato seco,
o sangue escorrendo na cara, de pau e espinho,
as moitas de unha-de-gato estreitando o beco.
De tanto correr fazendo redemoinho,
do tropel do meu coração se ouvindo o eco,
estafei a montaria para morrer sozinho.
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